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- 09-09-2010




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“Anibaleitor” é um livro sobre o prazer da leitura escrito por um português
“Porque é que eu gosto tanto deste livro? Porque é um livro altamente decente e é o melhor livro sobre livros até hoje escrito em Portugal - conhecem muitos livros sobre o prazer da leitura escritos por um português?” - eis Rui Zink, o escritor e professor universitário, no seu melhor, na Tertúlia da Feira do Livro de Braga, quinta-feira à noite, para a apresentação do seu último livro “Anibaleitor”.
De “Anibaleitor”, aliás, nem se falou muito. Apesar dos esforços que Daniel Tavares, da Universidade do Minho, como apresentador, desenvolveu, para “puxar” de Rui Zink as linhas-mestras desta obra que começou por ter uma primeira versão, por encomenda, em 2006. Zink “pegou” nisto mesmo: “as grandes obras normalmente apareceram sempre por encomenda, hoje não teríamos a Capela Sistina se não tivesse sido encomendada pelo Papa Sisto IV, do mesmo modo este livro surgiu como uma encomenda tendo como tema o prazer da leitura”. Neste momento, Rui Zink diz que está “a arrumar a casa” e que só “retrabalho os livros que acho que valem a pena”. E prossegue irónico: “devolvo o dinheiro com juros a quem disser que não gostou deste livro”.
“Anibaleitor” marca algum tipo de viragem? “Talvez”, responde Zink. “A ideia do livro é durar algum tempo, de modo que as minhas próximas obras têm de ser pensadas criteriosamente” numa “tentativa de respeito por mim e pelos outros”. Nunca dissociando a sua profissão de professor universitário, Rui Zink considera que, “ao contrário da pintura, do teatro ou do cinema, uma pessoa pode ter uma profissão e ser escritor - e isso até pode ajudar, porque há ideias, imagens, emoções, passagens do tempo que são captadas”.
E existe algum “ritual” neste tipo de criação? “Há rituais, há esquemas de aproximação, há truques, há rotinas, mas isso até nem é o mais importante” porque “quando um escritor agarra uma ideia o importante é não largar essa ideia, nunca a largar, quando estou a trabalhar um livro a ideia é nunca desistir, mesmo que haja dias em que posso trabalhar 14 horas e dias em que apenas consigo trabalhar cinco minutos”, sublinha o autor, frisando que verdadeiramente “o ritual é o trabalho”.
E mais, “um escritor a sério não corre atrás do leitor”. Zink cita José Cardoso Pires: “quem corre atrás do público apanha pedras”. Ou seja, “um escritor não precisa de dizer o que as pessoas querem ouvir, mas sim escrever o que acha que as pessoas devem ouvir”.
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