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  - 10-09-2010

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Inês Pedrosa e Patrícia Reis na Feira do Livro de Braga


“Os Íntimos” e “Antes de ser feliz” ou as obras de duas escritoras marcantes


Há quem diga que escrever é um prazer, que escrever é difícil, há quem afirme fazer da criação literária uma terapia - ideias, tomadas ao de leve ou mais ou menos aprofundadas - que ficaram expressas na Tertúlia da Feira do Livro de Braga, sexta-feira à noite, por Inês Pedrosa e Patrícia Reis, duas escritoras com caminhos distintos mas ao mesmo tempo paralelos, demonstrando grandes afinidades. E que estiveram em Braga para apresentar “Os Íntimos” (Inês Pedrosa, sendo este um lançamento nacional) e “Antes de ser feliz” (Patrícia Reis).
E a pergunta de Sérgio Sousa (docente da Universidade do Minho, que moderou o encontro) impunha-se: escrever é um prazer? Inês Pedrosa explicou. “Escrever é difícil, estruturar é difícil, o processo da escrita torna-se sempre difícil, eu, no meu caso, resisto sempre muito antes de começar, para perceber se é mesmo aquilo que quero, que procuro e ou me aparecem as ideias, as palavras, ou não se consegue arrancar”. Ou seja - diz a escritora -, “há sempre momentos muito difíceis, mesmo depois de se começar a escrita”. Mas “o trabalho da escrita é um trabalho iluminado, volta-se atrás, corta-se, há dúvidas, emenda-se, reconstrói-se, reescreve-se, a criação literária é isso”.
Para Patrícia Reis, “há pessoas que têm essa condição de escrever, não é uma profissão, a literatura não dá muito dinheiro, tem que se fazer por gosto e por alguma necessidade”. E vai mais longe particularizando: “faço literatura por terapia, procuro fazer-me pensar e reflectir sempre mais um pouco, pensar mais além, não ser propriamente banal”. E ainda mais especificamente: “a coisa mais importante da minha vida são as pessoas, o que me interessa são as histórias das pessoas”.
E é precisamente a história de pessoas - principalmente de um personagem - que está no centro de “Antes de ser feliz”, um romance centrado na Figueira da Foz e em que emana um homem que acredita piamente no amor até ao fim.
De homens - principalmente e acima de tudo de homens - trata também “Os Íntimos”. Inês Pedrosa confirma, “é um livro sobre homens, narrado essencialmente no masculino”. Afinal, explicou Inês Pedrosa, não terá sido mais complicado colocar-se na pele deles para escrever este romance do que tinha sido, por exemplo, colocar-se na pele de uma octogenária meio enlouquecida em “Nas tuas mãos”, obra anterior perpassada por várias mulheres.
Em ambos os casos, parece haver um elo comum - embora não combinado, obviamente, afinal também resultante, quiçá, das afinidades entre estas duas mulheres, ambas escritoras, ambas antigas jornalistas: as relações, as amizades, todo um relacionamento interpessoal que perpassa nas duas obras, naturalmente distintas. Mas, indiscutivelmente, a marcar o panorama da actual literatura portuguesa.


 

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